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Setembro 11, 2010, 04:09:04


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Autor Tópico: Pedro de Sagunto - Escritor  (Lida 3998 vezes)
Joel S.
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Pombal, uma terra de cantos, recantos e encantos


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« em: Janeiro 16, 2008, 06:05:45 »

Pedro de Sagunto
« Última modificação: Junho 09, 2009, 10:28:05 por Joel S. » Registado

Paulo Alexandre Silva
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« Responder #1 em: Janeiro 16, 2008, 10:56:07 »

Pombal ficou hoje mais pobre. Morreu Pedro Alves de Carvalho, mais conhecido pelo seu pseudónimo literário Pedro de Sagunto. Tive o privilégio de conviver com esse grande vulto literário, não só nas caminhadas nocturnas que fizemos, como também pelas pequenas tertúlias que partilhámos no café. Pedro de Sagunto tem 17 livros editados em Portugal (por si só deveria ser merecedor de mais atenção a quem lida com estas coisas da cultura), além de diversos escritos nos jornais locais (O ECO) e poemas, muitos poemas. O seu espólio literário compreendia uma biblioteca com mais de 10 000 livros. Era um homem que não conseguia passar sem ler nem escrever. A escrita e a leitura eram o alimento para o seu espírito. O cinema era a outra grande paixão. Pombal perdeu um dos grandes vultos da cultura e penso que nunca soube homenagear condignamente Pedro de Sagunto. A melhor forma de homenagear este Homem é divulgar aquilo que nos deixou escrito. Por isso atrevo-me a partilhar com o Fórum Pombal um poema, publicado em 13 de Junho de 1963 no jornal O ECO (vai completar 45 anos), e que retrata um pouco a sua personalidade. Penso que este Homem é merecedor de estar no quadro de honra deste Fórum. Até sempre Pedro.

O NAVIO PIRATA


Às vezes, penso que um navio pirata
vem de muito longe para me levar,
e a minha alma, contente, se desata,
desejosa de ir com ele para o alto mar.

Abandonar o duro chão das cidades,
o escritório onde sou escravo eterno,
embarcar no navio pirata de perdidas idades,
nem que ele se afunde no pior inferno.

Ir à aventura, ó quem dera, Senhor!
respirando o ar salgado, pertença de gaivotas,
afrontar tempestades e escolhos sem temor,
em busca de praias distantes, terras ignotas.

Piratas de outros tempos, vinde em tropel,
das neblinas da História, dos Compêndios,
vinde travar vossas lutas sem quartel,
aos urros, esgrimindo ao clarão dos incêndios.

Vinde depressa, olhos fulgurantes,
cabelos revoltos, armados até aos dentes,
lutai para conquistardes oiro e diamantes,
escutai os canhoneiros, os apitos estridentes.

Vinde, piratas do meu sentir, dos meus sonhos,
homens sem fé nem lei, homens valentes,
lançai-vos à abordagem dando urros medonhos,
sede selvagens, bárbaros, inclementes.

Pior do que a vossa, é minha vida triste,
escravo de deveres, das horas, calendários,
escravo sem correntes de ferro, mas que existe,
vegetando entre outros escravos solitários.

Vinde, piratas do meu sonho ardente,
embora a forca seja o prémio dado;
ao menos, morrerei livre e de repente,
tendo por túmulo o mar encapelado.
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« Responder #2 em: Janeiro 22, 2008, 01:39:28 »

Tirem-me uma duvida:
Pedro de Sagunto era aquele senhor que andava sempre de sobretudo e que tinha no antigo Cine-Teatro uma poltrona num dos camarotes?
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Joel S.
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« Responder #3 em: Janeiro 22, 2008, 07:42:19 »

Não sei se tinha o dito camarote, mas realmente era habito vê-lo vaguear pelas ruas de Pombal (quer à noite, quer à tarde), vestido com um casaco comprido e óculos de massa escura.

"publicado no Jornal Século Ilustrado - 16 Março 1946"
« Última modificação: Janeiro 22, 2008, 07:44:07 por Joel S. » Registado

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« Responder #4 em: Janeiro 23, 2008, 11:48:03 »

Boa Noite

Pedro Alves de Carvalho, ou como todos o conheciam é meu avô. Fui criada com ele e foi é e sempre será um idolo na minha vida!
A ele devo mto e agradeço a todos o que alguma vez o admiraram.
Eu admiro-o como homem , mas sobretudo como meu avô!
Acreditem que Pombal perdeu, tal como eu perdi muito!
Se bem que a minha opinião é que as homenagens devem ser feitas com as pessoas vivas, se quiserem dêem uma "espreitadela" aos jornais da cidade desta semana, nomeadamente "O ECO".
Obrigada pela dedicação,

Ana Rita
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« Responder #5 em: Janeiro 24, 2008, 10:28:53 »

Também eu lamento que as Homenagens não se façam as pessoas e não aos mortos.
A descrição da personagens que era o teu avô, nunca me levou vou sequer a associar-lhe o pseudónimo que "carregava".
A todos os que lêem este Fórum, peço que vão divulgando os nomes de quem merece justas homenagens e não as calem.
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« Responder #6 em: Janeiro 24, 2008, 08:09:18 »

Foi com emoção que li o texto da neta de Pedro de Sagunto, a Ana Rita Gomes. Pelo que conheci do seu avô, duvido muito que ele aceitasse uma homenagem do "tipo" que se fazem em Pombal. Em Pombal homenageia-se o "dinheiro". Pedro era de outra galáxia. Era um homem culto no verdadeiro sentido da palavra. Ao longo dos anos que partilhei com ele, fiz uma pequena recolha de textos diversos, publicados no jornal O ECO. E por isso solicitei-lhe que me deixasse escrever um livro sobre a sua "personagem". A resposta que meu por várias vezes era: "Não vale a pena, pois a minha vida é pouco interessante". Só um grande Homem é que tem esta humildade. Os pequenos homens, por pequenos «nada» deste mundo, gabam-se de grandes feitos, muitas vezes associados às suas negociatas. Por isso, acredito que homenagear um Homem como Pedro de Sagunto é divulgar a sua obra, sobretudo às novas gerações, mais sensíveis à cultura. É que a Obra perdura e as «medalhas» extinguem-se no tempo (tempo muito curto). Alguém se lembra dos «homenageados» de há quatro anos?
Eu continuo com essa vontade de publicar um livro sobre o Homem e a sua Obra.
Por isso faço um apelo à Ana Rita: agarra-te com unhas e dentes ao património literário do teu avô e partilha-o connosco. Nunca conseguiremos ser-te gratos o suficiente, mas apesar da sua humildade e modéstia. o teu avô ficaria muito feliz por saber que a obra continua.
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« Responder #7 em: Janeiro 24, 2008, 08:23:39 »

Acho que faz grande sentido um prémio literário "Pedro de Sagunto".
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« Responder #8 em: Janeiro 24, 2008, 09:10:29 »

Acreditem que me estou a esforçar bastante para não dexar o nome do meu avô em esquecimento! Fiz-lhe uma homenagem sentida e no que depender de mim não será a ultima... jamais
em relação ao prémio literário, concordo, claro até porque é um orgulho ser neta de quem sou! Mas, se meu avô estivesse entre nós numa iria concordar, ou pelo menos receber algum tipo de premio... ele era discreto e tinha seu mundo...
Uma coisa é certo se o fizerem ficarei orgulhosa, e se ninguem quiser "dar a cara" eu darei, com o orgulho de ser sua neta !
Obrigada
« Última modificação: Janeiro 25, 2008, 12:11:06 por anaritag » Registado
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« Responder #9 em: Janeiro 24, 2008, 09:16:54 »

Em resposta ao piratadafoz devo dizer que meu avô andava sempre com livros debaixo do braço, andava quer de noite, quer de dia com uma gabardina creme, faziam km até na Ranha uma vez o vi a pé e nunca aceitava boleia. Quanto ao lugar no teatro, também é verdade!Não era um camarote dele, mas sim onde ele estava sentado sempre cada vez que la ia!
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Piratadafoz
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« Responder #10 em: Janeiro 24, 2008, 11:33:51 »

Era eu catraio quando fui pela primeira vez ao cine Teatro ver o meu primeiro filme projectado na grande tela:Quo Vadis.
Tive o previlégio de ter Pedro de Sagunto ao meu lado, no tal camarote, e que ao longo do filme me foi enriquecendo com "ideias,histórias" relativas á epoca que o filme Quo Vadis tratava.
Ficou-me para sempre na memória esta minha primeira incursão pelo cinema, e o curioso é que repeti por diversas vezes a visualização de filmes naquele camarote e sempre com um guia muito especial:Pedro Sagunto.
Onde estiveres, obrigado Pedro.
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