Paulo Alexandre Silva
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« Responder #1 em: Janeiro 16, 2008, 10:56:07 » |
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Pombal ficou hoje mais pobre. Morreu Pedro Alves de Carvalho, mais conhecido pelo seu pseudónimo literário Pedro de Sagunto. Tive o privilégio de conviver com esse grande vulto literário, não só nas caminhadas nocturnas que fizemos, como também pelas pequenas tertúlias que partilhámos no café. Pedro de Sagunto tem 17 livros editados em Portugal (por si só deveria ser merecedor de mais atenção a quem lida com estas coisas da cultura), além de diversos escritos nos jornais locais (O ECO) e poemas, muitos poemas. O seu espólio literário compreendia uma biblioteca com mais de 10 000 livros. Era um homem que não conseguia passar sem ler nem escrever. A escrita e a leitura eram o alimento para o seu espírito. O cinema era a outra grande paixão. Pombal perdeu um dos grandes vultos da cultura e penso que nunca soube homenagear condignamente Pedro de Sagunto. A melhor forma de homenagear este Homem é divulgar aquilo que nos deixou escrito. Por isso atrevo-me a partilhar com o Fórum Pombal um poema, publicado em 13 de Junho de 1963 no jornal O ECO (vai completar 45 anos), e que retrata um pouco a sua personalidade. Penso que este Homem é merecedor de estar no quadro de honra deste Fórum. Até sempre Pedro.
O NAVIO PIRATA
Às vezes, penso que um navio pirata vem de muito longe para me levar, e a minha alma, contente, se desata, desejosa de ir com ele para o alto mar.
Abandonar o duro chão das cidades, o escritório onde sou escravo eterno, embarcar no navio pirata de perdidas idades, nem que ele se afunde no pior inferno.
Ir à aventura, ó quem dera, Senhor! respirando o ar salgado, pertença de gaivotas, afrontar tempestades e escolhos sem temor, em busca de praias distantes, terras ignotas.
Piratas de outros tempos, vinde em tropel, das neblinas da História, dos Compêndios, vinde travar vossas lutas sem quartel, aos urros, esgrimindo ao clarão dos incêndios.
Vinde depressa, olhos fulgurantes, cabelos revoltos, armados até aos dentes, lutai para conquistardes oiro e diamantes, escutai os canhoneiros, os apitos estridentes.
Vinde, piratas do meu sentir, dos meus sonhos, homens sem fé nem lei, homens valentes, lançai-vos à abordagem dando urros medonhos, sede selvagens, bárbaros, inclementes.
Pior do que a vossa, é minha vida triste, escravo de deveres, das horas, calendários, escravo sem correntes de ferro, mas que existe, vegetando entre outros escravos solitários.
Vinde, piratas do meu sonho ardente, embora a forca seja o prémio dado; ao menos, morrerei livre e de repente, tendo por túmulo o mar encapelado.
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